Mack,
Incialmente, eu queria dizer duas palavrinhas sobre seu artigo: Lúcido e oportuno. Lúcido, porque ele é permeado de verdades que transcendem o universo do jogo Age of Empires. Essas verdades, inclusive, nos remetem a certos conceitos existentes na Ciência Política, que são Poder e Dominação.
E o que é o Poder, sob a ótica da Ciência Política? Nada mais do que a capacidade de um Estado-nação afirmar-se perante o mundo, sendo independente nas suas ações econômicas, sociais, diplomáticas. É o país constituir-se como um povo, em seu sentido político; é a capacidade magnífica de um país demonstrar diuturnamente sua auto-determinação nas relações com outros estados-nação.
A dominação, por seu turno, dá-se pela necessidade essencialmente humana de trazer outras nações para a conjuntura que o dominante quer ver estabelecida. As nações que exercitam a dominação querem estabelecer suas diretrizes de Estado como a nova ordem mundial. Os Estados Unidos são o exemplo mais recorrente do exercício de dominação. E esse exercício de dominação se dá seja pela via diplomática, seja pela via rápida da guerra.
Ambas as opções (diplomacia e guerra) têm seus prós e contras; a diplomacia, se usada como opção, pode ser um desastre. Lembro de um certo episódi ona recente história de dominação dos EUA, em que o presidente Carter estava tentando negociar com o governo chinês sobre relações comerciais. Os EUA, na década de 70, tentavam já implementar a política capitalista na China comunista, colocando suas lojas de fast food naquele país, entre outras ações de cunho comercial. Pois bem: os dois países elegeram uma certa cidade, a qual ficava exatamente no meio da distância entre as duas nações, como arena das negociações. O Ministério de Relações Exteriores americano foi à cidade, e firmou contrato de aluguel por duas semanas, no melhor hotel existente.
A iniciativa americana de negociação foi logo frustrada, por um singelo motivo: Os americanos descobriram que os chineses haviam alugado também um hotel, bem mais simples. O detalhe é que os chineses alugaram o hotel por DOIS ANOS!
Ora, daí se depreende como a diplomacia pode ver seus esforços frustrados. Uma nação pragmática como os Estados Unidos não quer perder tempo negociando durante dois anos, pois as conquistas do capitalismo sempre e necessariamente se dão pela via rápida. Não estavam dispostos a passar dois anos negociando com os chineses algo que, naquela época, seria apenas um embrião da hoje chamada globalização.
Falando na outra opção, seus efeitos são bastante conhecidos: a Guerra é via rápida para imposição da ordem social, econômica e política das nações dominadoras; mas tem também seus fiascos históricos, como o vietnã, afeganistão e, recentemente, o iraque. A queda e assassinato de um líder como Saddam Hussein não dotou os EUA do condão de impor sua ordem social naquele país. Anos vão se passando, e os EUA teimam em não admitir que em verdade perderam a guerra. O máximo que conseguirão é saquear as reservas petrolíferas, algo que outros países dominadores (Inglaterra, França, Alemanha) também estão de olho. Nem sei se tenho pena ou ódio de Bush. Filho bastardo do capitalismo, caipira que envergonha uma nação, com seu jeito truculento de imposição.
Essas reflexões vem a propósito do teu artigo, muito bem escrito por sinal. Embora elas pareçam guardar distância do jogo, se pensarmos bem, o jogo nos ensinamuita coisa para a vida real, senão vejamos: quando você fala na questão do combate, de focar-se no resultado, que é vencer o inimigo, essas lição que o jogo nos ensina diz que devemos nos comportar assim na vida real: Manter o foco em nossas ações, a fim de que realizemos tudo aquilo que consideremos um objetivo.
E quando você fala nos jogos 2x2, colocando-se como responsável pelo suporte ao companheiro de equipe. O que é isso, senão o compromisso que todos devemos ter em nossas relações com as pessoas? Claro, as relações devem ser pautadas numa base ética, de companheirismo; só assim este país será um país com "vergonha na cara", qe é o que nos falta.
Gostei muito do artigo, Mack, já o li umas três vezes. Existem muitas outras considerações, mas aí isto não seria mais um comentário...rsrsrsrsrs
Parabéns, sua retórica é convincente, lúcida e oportuna; só espero que os demais participantes se interessem pelo artigo, pois ele ensina, lembra, reforça entendimentos que todos devemos ter. No jogo e na vida.
Abraço!
